terça, 08 maio 2018 13:13

APED Retail Summit: Jorge Jordão reclama redução da carga fiscal

O presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição, Jorge Jordão, reclamou ao governo a redução da carga fiscal sobre as empresas e a estabilidade na legislação do trabalho. As revindicações foram feitas durante a sessão de abertura do APED Retail Summit, esta terça-feira, no Museu do Oriente, em Lisboa.

"Esperamos poder contar com a permanente atenção dos nossos governantes a temas como a redução da carga fiscal sobre as empresas e subsequente atração de investimento ou a necessidade de estabilidade na legislação do trabalho", afirmou.

“Numa economia cada vez mais digital e com serviços transnacionais, onde a simplificação e a acessibilidade são palavras-chave, há que criar também condições para reduzir os custos de contexto, capacitando as empresas portuguesas para serem mais competitivas numa economia marcadamente global”, adiantou.

“Há ainda passos a serem dados, sobretudo ao nível da legislação e regulamentação em áreas tão sensíveis como, por exemplo, a digitalização da economia versus privacidade dos dados pessoais”, declarou. A propósito citou o novo Regulamento Geral de Proteção de Dados: “Bem acolhido em geral quanto à sua essência e finalidade, tem suscitado, porém, algumas apreensões quanto à mudança de paradigma em que se baseia e ao severo quadro sancionatório preconizado”, notou.

Jorge Jordão socorreu-se do Barómetro APED para indicar o retalho como “um dos setores mais dinâmicos da economia portuguesa”: em 2017, o setor cresceu 3,8% face a 2016, “superando o patamar de 20 mil milhões de euros de volume de vendas”. Números que, disse, refletem “uma boa performance do retalho alimentar - na ordem dos 3,9% - e do não alimentar que cresceu 3,8% face ao ano transato”.

Questões como a sustentabilidade, a evolução demográfica e os novos padrões de consumo foram alguns dos desafios que apontou. “Se, por um lado, temos de encarar o acentuado envelhecimento da população, por outro temos de nos preparar rapidamente para o protagonismo dos centennials que, diversamente dos millennials, são verdadeiros nativos digitais que não conhecem o mundo sem ser através da Internet e das redes sociais e encaram a tecnologia, pragmaticamente, como uma ferramenta de comunicação, formação e entretenimento”.

Assinalou ainda o desafio de “sedimentar ainda mais o trabalho em parceria”. “O compromisso para dar resposta aos desafios atuais e vindouros exige partilha de ideias e soluções numa lógica colaborativa entre toda a rede de entidades relacionadas com o consumo e a economia em geral”. “A estes desafios o sector da distribuição não virará a cara. Tal como aconteceu com os desafios das últimas décadas”, referiu. Mas, alertou, “pelo futuro é necessário o empenho de todos, desde os operadores ao poder político, e a correta perceção do valor económico e social que o setor do retalho e distribuição tem para o país”.

O secretário de Estado Adjunto e do Comércio, Paulo Ferreira, manifestou o empenho do governo para que a modernização do “tecido empresarial, a modernização do contexto em que os consumidores consomem, seja acautelado da melhor forma (...) para que isso nos traga mais capacidade de competir em termos internacionais".

Ainda durante a sessão de abertura, o governante destacou a capacidade do setor do retalho de "se reinventar e de impulsionar essa dinâmica nas empresas com que se relaciona", esperando que a discussão no encontro contribua para “criar melhores condições para que Portugal possa ser melhor, crescer mais" e permitir gerar "emprego de qualidade e coesão social".

"Do lado do governo estamos a trabalhar para que o futuro, a modernização do nosso tecido empresarial, a modernização do contexto em que os nossos consumidores consomem, seja acautelado da melhor forma (...) para que isso nos traga mais capacidade de competir em termos internacionais", acrescentou.

Paulo Ferreira salientou ainda “a importância que os dados têm cada vez mais no alimentar da revolução industrial” atual e que é essa a grande diferença em relação às anteriores. Entende, mesmo, que “esta é a primeira revolução industrial para a qual Portugal está bem capacitado”, seja a nível de recursos humanos, de tecnologia, de localização geográfica ou de um “ecossistema empreendedor”.

 

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sd@briefing.pt

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