sexta-feira, 02 outubro 2020 13:36

Transformação digital: ponto de não retorno?

Em matéria de digitalização do negócio, pode dizer-se que a pandemia de Covid-19 constitui um marco, na medida em que, fruto do confinamento das pessoas e do encerramento temporário das lojas, ditou a emergência de novos comportamentos dos consumidores, impulsionando claramente o comércio eletrónico. Esta é uma evolução de que dão testemunho, na última edição da Store, cinco insígnias – C&A, El Corte Inglés, IKEA, Pingo Doce e Sonae – convergindo que a omnicanalidade é o caminho comum a trilhar, até porque é uma tendência global da indústria do retalho.

 

O diretor-geral da C&A para Portugal e Espanha, Domingos Esteves, dá conta precisamente de uma tendência de crescimento “muito positiva”, com cada vez mais utilizadores a sentirem-se seguros em comprar online e a introduzirem essa nova dinâmica de compra na sua rotina. “No nosso caso, duplicámos as visitas em relação aos mesmos meses de 2019 e triplicámos as vendas. Além disso, tem sido uma grande oportunidade para a marca, já que 30% dos clientes eram novos utilizadores que nunca tinham comprado na C&A”, contextualiza.

Por sua vez, o Head of E-Commerce & Omnichannel do El Corte Inglés, Antonio Tomé Ribeiro, afirma que, em pouco tempo, Portugal deu um “grande salto” em matéria de transformação digital. E no que respeita à própria insígnia, descreve o nível de maturidade digital como “muito interessante para o contexto nacional”, afirmando que oferece serviços digitais com muito sucesso.

Na IKEA, a country manager para Portugal, Helen Duphorn, entende que ainda

existe um caminho a percorrer na maturidade digital do retalho, mas acredita que a pandemia quebrar barreiras psicológicas ou de insegurança, e que isso criou uma oportunidade para todas as empresas.  “Na IKEA, os nossos canais digitais já eram trabalhados como mais uma opção para o cliente, muitas vezes complementada com a experiência física em loja”, afirma, notando que o confinamento permitiu ampliar a ação no e-commerce e retirar lições do comportamento dos consumidores.

Também o diretor de Marketing Digital do Pingo Doce, Gonçalo Menezes, considera que “no retalho alimentar, e ainda que a maioria dos clientes continue a preferir compras presenciais, o confinamento acelerou e motivou a experimentação do comércio online”. A pandemia veio acelerar igualmente a comunicação em canais digitais: “Na comunicação, cresceram as campanhas, folhetos e promoções divulgadas maioritária ou mesmo exclusivamente em canais digitais, em linha com um crescimento significativo de audiências que, mesmo com alguma acalmia no período pós-confinamento, continuam mais numerosas do que no pré-Covid”.

Já a Head of Digital da Sonae, Teresa Oliveira, defende que, do ponto de vista do consumidor, o e-commerce em Portugal ainda está longe da média europeia e de mercados mais desenvolvidos. Quanto ao grupo, afirma que caminha em direção à omnicanalidade, uma aposta que "tem contribuído para a liderança dos seus formatos de retalho”: “As várias insígnias e marcas da Sonae estão empenhadas em continuar a criar experiências seguras que consigam tirar partido do melhor de cada um dos canais e da sua complementaridade”.

Fonte: Store

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