terça-feira, 30 março 2021 12:21

Retalho regista quebra de 1,5% nas vendas em 2020

O volume de vendas no setor do retalho decresceu 1,5%, em 2020, face ao ano anterior, atingindo os 22.653 milhões de euros, de acordo com o “Barómetro de Vendas”, da APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, apresentado esta terça-feira.

O retalho alimentar apresentou um aumento de 8,1% do volume de vendas no ano de 2020, em relação ao ano anterior. Por categoria de produto, os Congelados, a Mercearia, o Bazar Ligeiro e os Perecíveis registaram um “crescimento acentuadíssimo”, que se pode justificar pelo confinamento dos portugueses e pelo teletrabalho, os quais levaram ao “armazenamento dos alimentos”. Houve um aumento “ligeiro” da marca própria (1,4 p.p.), o que “traduz a confiança dos portugueses”

Já o retalho especializado, foi penalizado, registando uma variação global de -17,7% no volume de vendas e atingindo os 7.032 milhões de euros. Por categoria de produto, a Eletrónica de Consumo, os Grandes Eletrodomésticos, os Pequenos Eletrodomésticos e a Informática registaram, face a 2019, variações de crescimento “muito acentuadas”; ao contrário do atingido pelas outras categorias, como é o caso do Vestuário, que teve um decréscimo de -32,5%, uma vez que “o online não resolveu o problema e as lojas estiveram fechadas” praticamente todo o ano.

Num ano em houve um “investimento significativo”, das insígnias do retalho alimentar e especializado, no comércio eletrónico, o “Barómetro de Vendas” indica que o peso do e-commerce no total das vendas do retalho alimentar foi de 3% e no retalho especializado de 14,9%.

Em 2020, a APED tinha 168 associados – mais oito face ao ano transato –, sendo que dois terços são do retalho especializado. Das 4126 lojas dos associados, no continente e nas ilhas, abriram 45 e encerraram 36 – 64 e 50, em 2019, respetivamente.

O diretor-geral da associação, Gonçalo Lobo Xavier, refere que, enquanto setor, tentaram responder ao mercado e às necessidades dos portugueses durante a pandemia, e que foram “investidos milhões e milhões de euros [+2 ou 3% ao orçamento do previsto para o ano] em segurança para as lojas, os colaboradores e consumidores”.

“Para o futuro, é preciso pensar e repensar o número de pessoas permitido em loja. Temos, em Portugal, o índice mais baixo de pessoas em loja da Europa – cinco por metro quadrado”, afirma. “Não é nos espaços comerciais que há transmissão do vírus. Pode haver é se insistirmos nesta teimosia de não olharmos para o facto de as lojas terem feito investimentos e estarem estruturalmente preparadas para receber mais clientes, para estarem normalmente com um tráfego muito reduzido e, por outro lado, em dias de muita afluência, termos clientes à porta, a fazer fila, onde aí sim o aglomerado de pessoas, que queremos evitar, não pode ser controlado”, acrescenta.

No final da apresentação do “Barómetro de Vendas”, o responsável deixa uma nota sobre a formação. “A digitalização e alteração de comportamento e, porventura, a alteração económica que o País vai enfrentar com riscos, do ponto de vista capacidade financeira dos cidadãos, obriga a um repensar da formação e das competências, obriga ao investimento das empresas e das autoridades em planos de formação que venham responder às reais necessidades do mercado. O setor do retalho emprega um conjunto muito relevante de pessoas. Temos muitos associados com planos de crescimento sustentados para os próximos anos e, portanto, obriga a uma reestruturação da formação e da oferta formativa do ponto de vista da digitalização e da sustentabilidade”.

Fonte: APED

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