quarta-feira, 02 julho 2014 13:32

Como o brócolo português chega à Austrália

Como o brócolo português chega à AustráliaHá brócolo cultivado em Portugal a ser consumido em sítios tão distantes como o Brasil ou a Austrália. Quem o afirma, em entrevista à Store, é Mauro Cardoso, diretor-geral da Monliz, empresa de produção de vegetais ultracongelados que abriu em junho a segunda linha de produção da câmara de frio.

Sobre a relação com a distribuição nacional diz que é importante e "que tem vindo a ser construída e fortificada ao longo dos anos". A Monliz vende cerca de um terço dos legumes ultracongelados à venda no mercado nacional, excluindo a batata pré-frita.

Store | O que representa para a Monliz a inauguração da segunda linha de produção da câmara de frio?

Mauro Cardoso | É extremamente importante, mas também gratificante, termos conseguido dar este passo. Trata-se de um investimento superior a 18M€ e que incluiu a segunda fase de expansão com a instalação da segunda linha de produção e da segunda da câmara de frio da Monliz. Com esta ampliação foi possível duplicar a capacidade de produção e armazenamento da unidade e a criação de 45 postos de trabalho.

Store | Que impacto é que terá na capacidade exportadora da empresa?

MC | Em 2013 exportámos cerca de 78% da nossa produção. Este reforço da capacidade produtiva, juntamente com o bom clima e as condições competitivas do nosso país, permitiu aumentar os valores das exportações mas também a quantidade de produtores que trabalha com a Monliz e o número de colaboradores, como já referi. Nestes últimos três anos a Monliz tem vindo sempre a crescer nas exportações, em 2011 tivemos vendas na ordem dos 28.032 M€, das quais 62% de exportações, e em 2013 a Monliz atingiu os 38.896 M€ nas vendas sendo 78% resultado das exportações. A partir deste investimento a capacidade da Monliz deu um salto qualitativo e quantitativo muito importante.

Store | Quais os objetivos da empresa em termos de internacionalização?

MC | A empresa pertence a duas multinacionais belgas com fábricas um pouco por toda a Europa e uma presença fortíssima no mercado global dos legumes ultracongelados. Estamos já há muito tempo, através do grupo, a exportar para 56 países. Há brócolo cultivado em Portugal a ser consumido em sítios tão distantes como o Brasil ou a Austrália. O desafio da Monliz é conseguir suprir as necessidades do grupo nos produtos nos quais está especializada, o que ainda não acontece mesmo com a duplicação da capacidade recentemente feita. A limitação, mais do que a capacidade da fábrica, reside na produção hortícola nacional dos produtos que processamos. À medida que conseguirmos convencer mais agricultores a produzir pimento e brócolo (só para nomear dois exemplos), as vendas e exportação aumentarão. Alqueva e a sua zona de influência terá um papel importante no surgimento de novas zonas de cultivo, novos agricultores e no aumento de área dos já existentes que se expandem também naquela região.

Store | Qual a importância do relacionamento da Monliz com os grupos de distribuição portugueses?

MC | É uma relação importante que tem vindo a ser construída e fortificada ao longo dos anos. A Monliz vende cerca de um terço dos legumes ultracongelados à venda no mercado nacional, excluindo a batata pré-frita. É o player que consegue apresentar a melhor proposta de valor, uma vez que além de uma forte capacidade produtiva em 11 países distintos, consegue oferecer um portfólio de 76 vegetais diferente nas mais distintas apresentações, todo o tipo de ervas aromática e frutas ultracongeladas e tudo isto de produção própria. Detemos um forte know-how nestes produtos e lideramos a produção sustentável dos mesmos na Europa. Controlamos todo o processo desde a seleção da semente até ao embalamento na embalagem final e estamos no campo lado a lado com o Agricultor.Tudo isto é valorizado pelos grupos de distribuição nacionais com os quais a Monliz trabalha.

Store | Que vantagens competitivas é que Portugal tem em relação ao estrangeiro no sector em que a Monliz actual?

MC | A principal vantagem é o clima. Se fosse possível cultivar de igual forma pimento na Bélgica ou na Alemanha, seguramente o sul da europa não produziria nada. Essa é talvez a principal e única vantagem. Mesmo aí temos uma fortíssima concorrência de Espanha, onde a produção tem outra escala e a distância é menor para os mercados. Temos que trabalhar mais e melhor que os nossos concorrentes Espanhóis para conseguir ser competitivos e esse tem sido um dos segredos da Monliz. Uma equipa forte, competente e trabalhadora empenhada que têm conseguido eliminar essa desvantagem.

hs@briefing.pt

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