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quinta-feira, 19 outubro 2017 16:44

Economia limpa: "Estão em jogo milhões de milhões de dólares"

“A economia limpa não é um nicho de mercado, é mainstream e está a crescer rapidamente”. A afirmação é de Andrew Winston, consultor na área da sustentabilidade há 15 anos, que defende que a redução das emissões de carbono é inevitável. Entende, no entanto, que cria simultaneamente uma “enorme oportunidade de negócios”, na medida em que reduz custos e riscos, impulsiona a inovação e as receitas e cria marcas. “Estão em jogo milhões de milhões de dólares de mercado”, diz.

 

Store | Como surgiu o seu interesse pela consultoria em sustentabilidade nos negócios?

Andrew Winston | Eu comecei a trabalhar no mundo empresarial a seguir à faculdade, há 25 anos. Trabalhei para o Boston Consulting Group e depois para empresas de media como a Time Warner e a MTV. Foi durante o crash das empresas de Internet que parei para pensar no que realmente me entusiasmava. E percebi que era o meio ambiente e o futuro do planeta. Então, voltei a estudar para obter um diploma em gestão ambiental – eu já tinha um MBA – para tentar combinar os meus interesses em negócios e meio ambiente. Isso foi há 15 anos ...

O que é a “economia limpa”?

Economia limpa significa muitas coisas, mas é sobretudo a criação de uma economia, e particularmente de um sistema de energia, baseada em energia e materiais renováveis. Assim, em vez de combustíveis fósseis, usamos o sol, o vento, as marés, o fluxo de água e algumas coisas que cultivamos (biocombustíveis) para alimentar o mundo. É também acerca das tecnologias que usamos para reduzir o carbono e outras emissões perigosas – assim, a eficiência energética, controlos de construção, eficiência de água, agricultura inteligente, veículos híbridos e elétricos, ferramentas para usar big data e a Internet das coisas para melhor reduzir os impactos.

Como é que a “economia limpa” produz impactos nas empresas?

Afeta todas as empresas. Temos que construir uma “economia limpa” para combater as alterações climáticas, ou arriscamos o nosso bem-estar partilhado. Assim, cada negócio desempenha um papel. Mas quando pensamos nos setores da indústria, o foco será em energia, edifícios, transportes, finanças e muito mais. À medida que a economia limpa evolui, isso também significa que os preços para as tecnologias limpas estão a descer rapidamente, então as empresas podem tirar proveito da nova eficiência e tecnologia de energia. Haverá novas maneiras de economizar dinheiro em energias renováveis e noutras tecnologias.

Como é que as empresas se podem preparar?

É difícil responder. Podem conhecer as opções de energia limpa e tecnologia como as que mencionei, e podem centrar-se na forma de tornar os seus produtos e serviços mais limpos e de impulsionar mais negócios através da inovação.

De que forma é que responder às alterações climáticas pode ser bom para o negócio?

De todas as formas. Combater as emissões de carbono nos negócios e nas cadeias de abastecimento cria valor em todas as formas pelas quais as empresas criam valor: reduz custos e riscos, impulsiona a inovação e as receitas e cria marcas. Isso é apenas a nível corporativo. Na economia e a nível global, se não lidarmos com as alterações climáticas, elas ameaçam a nossa economia e a nossa espécie. Não é muito bom para os negócios se as cidades estão inundadas, ou as comunidades enfrentam secas históricas e condições climáticas extremas. Não temos opção senão reduzir as emissões de carbono, mas isso cria uma enorme oportunidade de negócios. Estão em jogo milhões de milhões de dólares de mercado.

Já há muitas empresas a atuar nesta área?

Sim. Atualmente, mais de 200 das maiores empresas a nível mundial comprometeram-se com metas baseadas na ciência em torno da redução do carbono, e cerca de 90 comprometeram-se em ter 100% de energias renováveis. A Walmart, uma das maiores empresas a nível mundial, acaba de estabelecer a meta de reduzir os gases de efeito estufa na sua cadeia de abastecimento em um milhão de milhões de toneladas.
E olhando para os fornecedores de tecnologias limpas, eles estão a crescer rapidamente. Atualmente, há mais empregos nos Estados Unidos na economia limpa do que nos combustíveis fósseis, e a maior parte da nova energia colocada na rede globalmente é de energias renováveis. Este não é um nicho de mercado, é mainstream e está a crescer rapidamente.

Que papel desempenha a transparência neste processo?

A transparência radical é agora um facto da vida empresarial moderna. O que isso significa na prática é que cada empresa tem que ser capaz de contar uma história sobre os seus produtos e serviços: de onde veio, quem a fez, se pagaram um salário digno e onde, qual foi a pegada de carbono do produto, e assim por diante. Mais de 90% das maiores empresas têm agora alguma forma de relatórios de sustentabilidade onde relatam os seus esforços para gerir os seus impactos ambientais.

De que modo são cruciais as parcerias entre empresas?

Os problemas que estamos a enfrentar, como as alterações climáticas e as restrições de recursos, são sistemáticos – eles cobrem o mundo e cadeias de valor inteiras. Então, nenhuma empresa pode lidar com o problema sozinha. Estabelecer parcerias com os fornecedores, os clientes, o governo e até mesmo os concorrentes, é fundamental para alcançar maiores resultados.

Qual é o objetivo de sustentabilidade típico para uma empresa atualmente?

Não há um objetivo típico. A grande maioria das grandes empresas tem agora metas de sustentabilidade. Eu tenho um banco de dados online, que está disponível para o público, que tem os objetivos de sustentabilidade das 200 maiores empresas do mundo. Inclui quase quatro mil metas. Abrangem desde reduções de energia até compromissos de saúde e bem-estar, a segurança de funcionários e muito mais.

O que mudou nos últimos 10 anos em sustentabilidade para as empresas?

Tornou-se norma que as empresas têm de ter alguma forma de plano de sustentabilidade. Os seus acionistas esperam-no, sobretudo negócios com clientes que atualmente fazem uma série de perguntas aos seus fornecedores. Não há nenhuma grande empresa que não tenha, de alguma forma, a sustentabilidade na agenda. Isso não era verdade há 10 anos. Além disso, as soluções e tecnologias evoluíram muito rapidamente. Há dez anos, a energia renovável era muito cara. Agora, em muitos locais é a forma mais barata de energia. Houve também, nos últimos 10 anos, uma mudança geracional nas atitudes a nível de trabalho. Os millennials querem que as suas empresas defendam algo e operem de forma mais sustentável. Não há outra opção.

 

Fonte: Store