quinta-feira, 21 dezembro 2017 14:51

Neste Natal, cada português vai gastar 252 euros. Diz o Cetelem

Os consumidores estão mais exigentes, atentos e cautelosos na forma como fazem compras. Informam-se melhor, não cedem a impulsos, aproveitam dias especiais de promoções, pesquisam na Internet e questionam vendedores. Tendências apontadas pelo diretor de Distribuição do Cetelem, Pedro Camarinha, que adianta que cada português vai gastar, em média, 252 euros em prendas, neste Natal.

 

Store | Os portugueses confiam nas marcas?

Pedro Camarinha | Os portugueses confiam cada vez mais nas marcas, aliás, os dados dos últimos estudos realizados demonstram exatamente isso. O que verificamos é que os consumidores têm uma melhor compreensão do trabalho desenvolvido pelas empresas nas suas marcas, estão mais informados e atentos. O último estudo Observador Cetelem sobre Consumo mostra também que, para dar este voto de confiança, os portugueses exigem qualidade, uma boa imagem e reputação, além de uma experiência positiva. É perante essas premissas que as marcas têm que trabalhar.

Que tendências de consumo perspetiva para este Natal?

Este ano, assistimos a uma recuperação da intenção de poupanças dos portugueses, que aumenta mais que as despesas. Aumenta também a vontade de comprar prendas de Natal, mas a gastar menos, limitando a aquisição de prendas para os mais próximos: filhos, cônjuges, familiares diretos,... O que resulta que, em média, cada consumidor vai adquirir cerca de seis presentes. Apesar de quererem gastar menos, mais pessoas pretendem utilizar o seu subsídio de Natal na compra de presentes. O maior consumo neste período, associado à vontade de gastar menos, acabou por resultar num crescente interesse pelos dias especiais de promoções, como foi visível na Black Friday e na Cyber Monday. A isto soma-se mais pessoas quererem aproveitar os saldos após o Natal.

Quanto vão os portugueses gastar este Natal? E em quê?

Para este ano prevemos um gasto médio no valor de 252 euros. Deste valor, cerca de 134 euros estão destinados diretamente para prendas de Natal. Quanto aos presentes, a tendência passa pela aquisição de vestuário, embora estejamos a assistir a um crescente interesse em produtos culturais e, claro, permanecem os brinquedos. É também interessante ver que 50% dos portugueses tencionam comprar um presente para si e que, provavelmente, essa prenda não deverá fugir a vestuário, perfumes ou relógios. Afinal, os produtos mais desejados pelos consumidores nacionais.

Qual a distribuição das compras de Natal por espaços comerciais?

A esmagadora maioria dos consumidores continuará a fazer as suas compras nos centros comerciais mas o comércio tradicional, os super e hipermercados manterão a sua relevância no que respeita à aquisição de produtos neste período. Verificamos que a Internet, ao contrário do registado ao longo de quase todo o ano, tem vindo também a ganhar relevância.

A que nível estão a aumentar as compras através da Internet?

Não é ainda possível aferir uma tendência, no entanto, verificamos que no Natal a Internet está a ganhar expressão enquanto plataforma de compra. O que é compreensível, dada a comodidade, a possibilidade de analisar o produto sem especiais confusões e sem horários. Tudo isso são aspetos que os consumidores prezam e que a Internet lhes oferece, com naturais consequências no crescimento do e-commerce.

É previsível que os pagamentos a crédito aumentem?

Sim, é expectável esse aumento face a 2016, embora não seja significativa. Verificamos, na nossa análise prospetiva, que as intenções de utilização do cartão de crédito aumentam residualmente e que os gastos médios serão de 421 euros, um valor em linha com o ano passado e inferior a 2015.

Que impacto têm as campanhas promocionais pré-natalícias nas atitudes de consumo?

Os consumidores são cada vez menos influenciáveis e por isso as empresas têm procurado chegar aos consumidores de diversas formas. Claro que, numa época do ano em que o ruído publicitário é muito elevado, o conteúdo diferenciador e criativo ganha vantagem. Ora, são as campanhas que conseguem assimilar estes aspetos ao seu perfil que se tornam mais impactantes junto do consumidor.

Há já uma percentagem de consumidores significativa que aguarda pelas promoções pós-natalícias para as compras de Natal?

Aproveitar os saldos é já um hábito. Este ano os nossos dados apontam para que 25% dos consumidores façam compras de Natal nas promoções pós-natalícias. Ou seja, depois da forte quebra em 2014, assiste-se a um crescimento. É mais uma demonstração que os portugueses continuam cientes de que é importante manterem uma atitude cautelosa em relação aos gastos e que, afinal, a crise porque todos passámos não foi há assim tanto tempo. A tendência parece apontar nesse sentido e será muito interessante acompanhar para percebermos como evolui.

De que modo é que as redes sociais estão a influenciar o consumo?

O que os estudos do Observador Cetelem têm demonstrado é que os portugueses procuram cada vez mais informação na Internet antes de escolher o produto a comprar. É interessante verificar que existe confiança nas redes sociais, apesar de tudo o que muitas vezes se escreve sobre o assunto, o que revela um consumidor capaz de filtrar informação. No nosso trabalho sobre as intenções de compra para o Natal deste ano as conclusões apontam para um crescimento sustentado da Internet enquanto veículo de pesquisa quanto a produtos e serviços, antes do ato de compra. Ora, tal traz consequências muito interessantes e que apontam para essa influência da Internet e, em particular, das redes sociais. E isso é algo que extravasa o consumo, pois é impossível fugir à crescente importância que os “influenciadores” online têm junto das pessoas, através de canais do YouTube, de páginas nas redes ou em blogues, por exemplo.

O consumo é mais consciente ou a retoma dos níveis de confiança dos portugueses está a aumentar o consumo por impulso?

Os números permitem compreender que os consumidores portugueses estão mais exigentes, atentos e cautelosos na forma como efetuam as suas compras. Não cedem de imediato aos impulsos, aconselham-se junto dos que lhes são mais próximos, aproveitam dias especiais de promoções para diminuir os gastos, procuram informar-se melhor sobre determinados produtos e serviços, pesquisam as caraterísticas dos produtos na Internet e questionam vendedores. São, aliás, campeões europeus nesta matéria, como mostrámos no nosso último estudo sobre o consumo. Isto dá-nos uma boa ideia sobre a forma como os portugueses encaram este novo ciclo.

sd@briefing.pt

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