segunda-feira, 05 agosto 2013 16:17

Uma montra chamada aeroporto de Lisboa

gutierres"Os aeroportos são excelentes montras para as marcas se darem a conhecer ao mundo e para se potenciarem neste novo canal de distribuição à escala global denominado travel retail", diz, em entrevista à Store, Carlos Gutierres, o diretor dos negócios comerciais não aviação da ANA. O Aeroporto de Lisboa, que inaugurou um novo espaço para o retalho, é uma dessas montras.

 

Store | Que necessidades ditaram a criação da nova área de retalho do aeroporto de Lisboa?
Carlos Gutierres | Tendo em vista a sua missão de gerir de forma eficiente e inovadora o Aeroporto de Lisboa, otimizando a sua capacidade e assegurando o crescimento sustentado do negócio, a ANA-Aeroportos de Portugal, SA, prosseguiu a implementação de um ambicioso plano de expansão, iniciado há cerca de seis anos, tendo como principal objetivo aumentar a capacidade do aeroporto para servir melhor todos os seus clientes sejam eles companhias aéreas ou passageiros. Nesse âmbito enquadra-se a expansão da área comercial do Aeroporto de Lisboa, que surge também na sequência de uma série de inovações que demonstram o dinamismo da ANA - Aeroportos de Portugal, na contínua modernização da sua área de Retalho. Esta ampliação da área comercial, que em Julho de 2013 ficou concluída com a abertura da nova praça central, foi feita de forma faseada. Em 2008 foi ampliada a oferta de restauração. Em 2009 foi ampliada a oferta comercial da área NON-Schengen.
Em 2012 foram introduzidas diversas marcas de luxo, como a Ermenegildo Zegna, Burberry e Montblanc, entre outras; nesse mesmo ano, a loja Just for Travelers - Duty Free Shop foi convertida no formato walkthrough, até então inédito em Portugal; e ainda em 2012 foi criada a loja Portfolio, vocacionada para a promoção de marcas, produtos e experiências que representam o que de melhor se faz em Portugal.
Em Julho de 2013 inauguramos a Praça central, uma nova área comercial de 2.000 metros quadrados, com 20 novas lojas de grandes insígnias internacionais. Este novo espaço contempla marcas como a Accessorize, Desigual, Dreams Gourmet, FNAC, Geox, Hediard (a primeira loja em Portugal), Imaginarium, L'Occitane, Pandora, Springfield, Starbucks, Sunglass Hut, Swarovski, Swatch, Tumi, Victoria's Secret (a primeira loja na Península Ibérica) e Women' Secret.
Neste novo espaço, os passageiros têm a oportunidade de usufruir de uma área confortável, com muita luz natural, um ambiente muito agradável e uma atmosfera comercial muito relaxante. A ampliação da área de retalho procurou dar resposta às tendências de mercado, às alterações do perfil de consumidor e colmatar o défice de área comercial que tínhamos face aos outros aeroportos Europeus da mesma dimensão.

 

Store | Que objetivos se propõe atingir?
CG | Todas as apostas da empresa ao nível da ampliação e melhoria dos espaços comerciais e serviços visam melhorar a satisfação global dos passageiros, atrair mais turistas, contribuir para o desenvolvimento regional e nacional e garantir a sustentabilidade dos aeroportos. Queremos que a recordação dos passageiros no Aeroporto, seja positiva e memorável e não apenas um local de passagem, tendo em atenção que os Aeroportos são verdadeiros cartões de visita do nosso País.

 

Store | Qual o prazo para a rentabilização, do ponto de vista da ANA?
CG | O retorno para a ANA Aeroportos de Portugal de certa forma é quase imediato, dado que grande parte do investimento associado à construção dos espaços comerciais, é feito pelos lojistas e o desenvolvimento da infraestrutura está relacionada com as necessidades de desenvolvimento operacional do Aeroporto.

 

Store | Que significado tem para o aeroporto a presença de marcas internacionais, nomeadamente nos casos que traduzem estreias nacionais e até ibéricas?
CG | Os Aeroportos cada vez mais adaptam-se aos passageiros, com uma oferta de produtos, lojas e serviços adequados a cada segmento e de acordo com o perfil/nacionalidade dos passageiros. Diversidade, flexibilidade, são algumas das características que os espaços de retalho num Aeroporto devem ter, de modo a termos oferta para os diferentes tipos de passageiros. A utilização dos Aeroportos é cada vez mais massificada. Enquanto os passageiros frequentes são "nómadas globais" cuja atenção é mais difícil de capturar, as novas gerações estão mais atentas a novidades. Para responder às diversas motivações que levam o passageiro a comprar no aeroporto é necessário ter uma oferta diferenciadora, incluindo marcas exclusivas, tendência crescente no travel retail internacional.
Em todo este processo de seleção de marcas, associada à expansão da área comercial, foi nossa intenção posicionar o Aeroporto, enquanto local de referência, com oferta premium e exclusiva, diversificada, capaz de fazer os passageiros virem mais cedo para o Aeroporto e por essa via, dinamizar o consumo.

 

Store | Qual a estratégia da ANA para atrair estas marcas?
CG | Volume de passageiros e o seu perfil de consumo (destinos como Brasil, Angola, Rússia), associado à qualidade dos projetos desenvolvidos dão garantias às marcas de que o Aeroporto de Lisboa é o local ideal para expandirem os seus negócios.

 

Store | Qual o potencial do aeroporto para o negócio destas marcas?
CG | O meio aeroporto é um acelerador da estratégia de comunicação e marketing das marcas. Os aeroportos são excelentes montras para as marcas se darem a conhecer ao mundo e para se potenciarem neste novo canal de distribuição à escala global denominado travel retail, não só dado a tipologia de passageiros, como o perfil de consumo que lhes está associado. Os aeroportos são como uma montra espetacular para o mundo inteiro daquilo que melhor fazemos, e devem ser encarados também como um novo e específico canal de vendas- o Travel Retail.

 

Store | E como se propõe conquistar consumidores?
CG | Temos investido cada vez mais no desenvolvimento de projetos e conceitos inovadores em retalho aeroportuário, que melhor correspondem às necessidades dos passageiros. Temos de assegurar variedade, novidade e diferenciação. É essencial termos um bom "Tenant-mix", diversidade de oferta, e continuarmos a postar no conceito de retailtainemet, utilização do espaço de retalho e do próprio aeroporto, como palco de atividades de entretenimento que envolvam sensações agradáveis de conforto e de bem estar. Fazemos muitas entrevistas aos passageiros. Há uma panóplia de perguntas como "quais são as marcas que desejam?", "o que procuram?"; tentamos perceber quais são as marcas e produtos de que precisam. Temos de pensar da seguinte forma "não é o que nós gostamos; é o que os passageiros gostam". E, por isso, é que tentamos ter ofertas diferenciadas em cada aeroporto, cujo perfil de passageiro e consumo varia muito significativamente.
Os Aeroportos vivem também em mercados concorrenciais, pelo que é importante assegurar competitividade nesta componente do negócio aeroportuário. A qualidade do aeroporto na dupla vertente operacional e comercial é essencial para assegurar uma diferenciação positiva, que leve o passageiro a, por mero exemplo, preferir efetuar o seu voo de transferência em Lisboa e não em Madrid ou Paris.

 

Store | Que distingue o consumidor do travel retail do consumidor comum?
CG | Os negócios localizados em infraestruturas de transportes, como os Aeroportos, têm motores de crescimento diferentes, de um centro comercial. Os Aeroportos são estruturas em constante crescimento, onde o perfil de clientes e passageiros se alteram constantemente (novas rotas/novas companhias áreas). E é por isso fundamental que os negócios comerciais estejam sempre na linha da frente das tendências dos diversos setores. O fator tempo é um dos nossos maiores concorrentes, associado a toda a ansiedade inerente aos necessários procedimentos de embarque, assumindo-se o "impulso" como fator determinante para a compra.

 

Store | Que tendências dominam atualmente o travel retail e que evolução podemos esperar?
CG | As principais tendências de retalho, de forma generalizada, assentam essencialmente em 4 fatores principais: necessidade de uma nova conveniência, assentando num aumento da oferta através da expansão de gama de produto, da conectividade e de um ambiente multi-canal e de um conceito de experiência total, conveniente e emocionante; diferenciação, através de uma aposta numa identidade única, num design próprio, interativo e tecnológico; responsabilidade social, assente no fator eco-friendly, de arquitetura sustentável e de eficiência energética; focus no sentimento de well-being, cada vez mais patente pela procura crescente por serviços e atividades que permitem um incremento na qualidade de vida e no cuidado com o corpo e espírito e na procura de experiências mais agradáveis.

 

Store | Depois desta nova área, que novos planos possui a ANA em matéria de retalho? Ainda é possível crescer?
CG | O crescimento oferta comercial, está sempre associado ao crescimento dos passageiros, paralelamente os plano passam sempre por continuamente procurar adequar e otimizar a oferta ao perfil de passageiros respetivo.

 

Store | Qual a estratégia para os demais aeroportos geridos pela ANA? Que potencial oferecem?
CG | A estratégia passa sempre por uma adequação permanente ao perfil e ao número de passageiros, aos destinos e nacionalidades que passam pelos nossos Aeroportos. No Aeroporto de Faro, também temos um grande projeto de ampliação para 2016 que envolve desde novas acessibilidades ao desenvolvimento da área comercial.

 

Fonte: Store
Foto: Eduardo Ribeiro

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