segunda-feira, 13 julho 2020 12:57

Como está a funcionar a cadeia de abastecimento alimentar? A CAP responde

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Oliveira e Sousa, assegura que, “mantendo-se todas as condições em termos de mercado, fatores de produção, mão-de-obra e transportes”, os agricultores conseguem garantir a “parte que lhes compete no abastecimento dos mercados e da população em geral, ou seja, a produção propriamente dita”. Assim, desde que garantidas as circunstâncias cruciais para o escoamento das produções, “a agricultura, de facto, não vai parar”, afiança.

 

Por outro lado, sublinha que os agricultores não são imunes à crise e defende que esta é uma altura para o governo rever alguns aspetos que limitam a competitividade dos produtores nacionais. “A contribuição para o audiovisual, paga pelas centrais de bombagem dos aproveitamentos hidroagrícolas, ou a Taxa de Recursos Hídricos, que penaliza o uso da água, imprescindível para a rega eficiente de culturas agrícolas”, são exemplos que avança, neste âmbito.

O retalho alimentar é considerado fundamental para escoar a produção nacional, principalmente durante o estado de emergência, uma vez que “parte substancial do consumo que se verificava ao nível da restauração passou, agora, com as pessoas em casa, a fazer-se mais no setor da distribuição alimentar”.

Na relação entre a produção e a distribuição e para assegurar o seu funcionamento, o presidente da CAP destaca a importância de se garantir o fluxo de circulação de mercadorias, isto é, “o transporte entre as explorações agrícolas e as áreas comerciais”.

A nível da comunicação, refere que as relações entre produtores e distribuidores decorrem “normalmente”, e fala dos canais de comunicação abertos entre as partes: “A própria CAP e a APED têm, desde longa data, canais de comunicação estabelecidos para agilizar a resolução de dificuldades que surjam ao longo deste processo e das respetivas atividades de uma forma geral”.

No que concerne a dificuldades e preocupações, depois do pico de procura por parte da população, na fase inicial de isolamento, prendem-se, sobretudo, com os transportes e a logística necessários ao regular abastecimento dos mercados, com a disponibilidade de mão-de-obra para o período de colheitas, e com as produções que não encontram alternativas em relação ao mercado da restauração, hotelaria e exportação.

As exportações não ficam imunes a esta situação, pelo contrário, “estão a sofrer enormes dificuldades” e há alguns tipos de produção que, pela sua especificidade, estarão “mais vulneráveis”, particularmente, os que não encontram alternativas no mercado nacional.

“Não haverá produções completamente imunes aos efeitos desta pandemia, como estão a ser várias, como os leitões ou o leite, especialmente de ovelha e cabra”, diz. Outro exemplo que dá, para atestar a “complexidade” desta questão, é o setor vitivinícola: “Trata-se de um produto que não é de primeira necessidade, consumido, sobretudo, em ocasiões sociais, como encontros, reuniões, jantares, festas, eventos, entre outros, nomeadamente, através da restauração e hotelaria. Com estes canais praticamente fechados e com as exportações limitadas, uma vez que o problema se repete praticamente em todo o mundo, as dificuldades serão naturalmente significativas no setor do vinho, ainda que seja apenas um exemplo entre outros”.

Com os olhos postos no futuro, Eduardo Oliveira e Sousa afirma: “Resolvida a questão sanitária e de saúde pública, será necessário reabilitar a economia nacional e a agricultura, ainda recentemente, se revelou fundamental neste aspeto, na sequência da crise financeira e económica da qual estamos ainda a recuperar”. Conclui que os agricultores, apesar de apreensivos relativamente à incerteza que esta crise impõe às suas atividades, a curto prazo, mantêm a confiança de que o setor continuará a demonstrar a sua relevância.

Atualmente, não é possível quantificar o impacto da pandemia, em termos económicos: “A própria crise sanitária e de saúde pública ainda não tem fim à vista e só a partir dessa altura é que os agentes económicos, incluindo os do setor agrícola, começarão a vislumbrar todas as implicações e efeitos económicos deste problema”, sustenta.

Acredita, porém, que será possível retirar ensinamentos práticos desta situação. “Arrisco desde já dizer que a valorização das culturas e do consumo de proximidade – que, aliás, já vinha a ser considerada a propósito das questões ambientais – passará a ser vista pelos consumidores e pela sociedade em geral de forma mais atenta”, aponta.

Será importante também, apesar das evoluções associadas à globalização, para se repensar nos benefícios da produção local e nacional: “Os impactos ambientais, primeiro, e, agora, esta questão pandémica trouxeram à evidência a necessidade de equilibrar o global e o local, senão mesmo de dar prioridade às produções locais nos nossos hábitos de consumo, o que nem sempre tem acontecido até agora”.

 

Fonte: Store

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