segunda-feira, 03 agosto 2020 15:35

Como está a funcionar a cadeia de abastecimento? Com colaboração, responde a APED

“É fundamental que continue a colaboração e cooperação entre todos os seus intervenientes – dos cidadãos às empresas, do governo às entidades públicas”. A afirmação é feita pelo diretor-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, que considera que esta é a “principal fórmula” para que a cadeia de abastecimento continue a funcionar, durante a pandemia. Na sua ótica, é fulcral que haja uma capacidade conjunta de identificar necessidades, definir procedimentos e concretizar respostas para continuar a “alimentar Portugal”.

 

Sobre os desafios e dificuldades encontrados, conta que, num primeiro momento, se prenderam com os níveis de procura atípicos e inusitados nos espaços de retalho alimentar, tanto físicos como nos canais online. “Um cenário ultrapassado graças à grande capacidade de adaptação e à eficiência demonstradas pelas operações de transportes, de logística e de equipas de colaboradores”, defende. Revela também que houve um empenho das autoridades e dos associados da APED nos apelos para que não se registassem açambarcamentos e destaca, na “eficiência da logística”, a colaboração com os motoristas de transportes.

Apesar de a aposta do setor na produção nacional ser “de longa data”, Gonçalo Lobo Xavier refere que, “naturalmente”, está a ser ainda mais reforçada. “Não só porque nos permite, em parceria, respondermos de forma célere às necessidades dos consumidores, mas também porque sabemos o importante papel que desempenhamos junto da produção e indústria nacionais para que continuem dinâmicas e a escoar produtos neste período de condições excecionais”, justifica. Relembra ainda que, devido ao “fecho” do canal HORECA [que reabriu a 18 de maio] a “distribuição torna-se um canal essencial para alguns produtores que estavam fora do radar”.

Perante a pandemia, também a comunicação entre parceiros foi intensificada, através de plataforma criada pelo governo, que envolve 18 entidades públicas e privadas, além de quatro áreas governativas (Economia, Agricultura, Infraestruturas e Habitação e Mar). Neste ponto, revela que o Grupo de Acompanhamento e Avaliação das Condições de Abastecimento e do Retalho em Portugal se reúne regularmente para “avaliar e perspetivar os cenários possíveis, neste período”, de forma a acautelar o normal fornecimento de bens essenciais aos portugueses durante este período, apontando-como como “essencial para identificar problemas e apontar soluções”.

O feedback que têm recebido incide, “acima de tudo”, no facto de o foco ser comum, nomeadamente “continuar a garantir que os produtos cheguem aos consumidores; manter a dinâmica dos setores envolvidos e o seu contributo para que a economia portuguesa não pare nesta fase; acautelar a segurança de todos os colaboradores que diariamente, e com espírito de missão, trabalham para que a cadeia de abastecimento continue a demonstrar a sua resiliência e a servir os portugueses”. Soma também a esta equação a existência contínua de “preços competitivos e que agradem ao consumidor”.

O diretor-geral da APED afirma que o setor alimentar tem tido, “comprovadamente”, um importante peso na economia, e defende que, “mais do que quantificar em números esta relevância, é de se sublinhar o papel, a responsabilidade e a consciência social de um setor que não pode parar”. Destaca ainda que o setor reforçou a sua importância para a economia nacional, em duas situações: “Não só porque continuamos a fazer parte do dia a dia das famílias portuguesas, mas também porque vimos reforçada a nossa intervenção junto da produção – quer por sermos, agora, um canal alternativo a uma produção que tinha como destinos finais o HORECA ou os pequenos mercados, quer por termos intensificado a aposta no abastecimento de proximidade”. Ressalva que a APED representa todo o setor da distribuição e que dois terços dos seus associados são do retalho especializado – não alimentar – para os quais o desafio também é “enorme”.

Questionado sobre a possibilidade de se retirar ensinamentos práticos da forma de funcionamento da cadeia de abastecimento alimentar atual e aplicá-los no futuro, responde que ainda é cedo para conclusões detalhadas, mas, numa análise macro, aponta o reforço da capacidade de cooperação entre todos os intervenientes como um aspeto positivo. “Teremos, certamente, bastante que analisar, estudar e concluir e se teremos efetivamente um novo conceito de consumidor, uma nova economia nacional e, inclusive, uma Europa com deveres reforçados no apoio à produção, à indústria, ao comércio”, conclui.

Este artigo foi publicado na última edição da Store Magazine.

Fonte: Store

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