quinta-feira, 04 fevereiro 2021 13:17

Pedro Marques: Portugal, uma Presidência de futuro

O eurodeputado socialista Pedro Marques olha para os dossiês que estão em cima da mesa da Presidência Portuguesa do Conselho, deixando a mensagem de que constitui uma oportunidade para que o rescaldo de 2020 seja um novo princípio para a União Europeia.

“Portugal assume a Presidência do Conselho da União Europeia num contexto desafiante, marcado pelo combate à pandemia, as negociações com o Reino Unido e o impasse no acordo pelo Pacote de Recuperação. Estes desafios trazem ainda maior relevância à Presidência Portuguesa e Portugal tem a oportunidade de avançar com uma agenda ambiciosa para a Europa.

A prioridade imediata é garantir a recuperação e a resiliência da economia europeia. As inevitáveis restrições, definidas para controlar o contágio, tiveram custos. Felizmente, ao contrário da receita de austeridade que foi implementada na crise financeira de há uma década, hoje existe determinação em intervir para proteger os cidadãos e a economia, mas também uma maior sensação de solidariedade entre países. Portugal, tido como exemplo da rejeição da austeridade, contribuiu para essa mudança de perspetiva. Na UE, cada país também ganha com o sucesso do seu vizinho. Esta é a lógica que subjaz o pacote de recuperação.

Não obstante, a relevância deste investimento não se esgota no seu montante. O investimento acontece no âmbito de uma estratégia europeia comum para garantir a modernização da nossa economia, promovendo uma transição verde e a digitalização.

Com o Pacto Ecológico Europeu, a Europa tem a oportunidade de investir para liderar a transição verde e promover um modelo de desenvolvimento sustentável. Compete-nos garantir que a salvaguarda do planeta e a prosperidade humana são compatíveis. Cumprir o Acordo de Paris é, acima de tudo, um imperativo moral para com as gerações vindouras. Em simultâneo, a digitalização abre portas a mais eficiência, inovação e competitividade. Com a pandemia, ficámos mais dependentes de serviços digitais. O novo normal revelou a importância de investir para que as PME portuguesas possam capitalizar com as novas tendências e melhorar as suas perspetivas de negócio.

Portugal tem sido ainda uma voz ativa sobre a dimensão social do projeto europeu. A transição para uma economia de futuro deve ser justa, criando oportunidades de emprego para todos, incentivando a educação e formação profissional, ou seja, sem deixar ninguém para trás. Investir em capital humano é decisivo para garantir a qualificação dos trabalhadores e melhorar as perspetivas de rendimento, quer dos próprios, quer das empresas. O governo do Partido Socialista já anunciou uma Cimeira Social, a decorrer em maio, no Porto, para dar um forte impulso ao Pilar Europeu dos Direitos Sociais.

A Presidência Portuguesa reconhece também que a UE tem uma dupla tarefa geopolítica. Por um lado, deve desenvolver uma política industrial comum. Não queremos estar desprevenidos para outros choques nas cadeias de valor globais. Por outro lado, inspirada pela vitória de Joe Biden nos EUA, a Europa deve contrariar a lógica bipolar dos últimos anos, promovendo o multilateralismo. Portugal já assumiu esse compromisso: uma cimeira UE-Índia, inspirada no património democrático que ambas as partes representam na sua área geográfica, e o encontro com a União Africana, para aprofundar as relações económicas e garantir benefícios mútuos.

Esta é uma Presidência de futuro. A dimensão social, as transições digital e climática, a resiliência e autonomia estratégica: estas são as componentes fundamentais da Presidência Portuguesa e também uma oportunidade para que o rescaldo de 2020 seja um novo princípio para a UE.”

 

Fonte: Store

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