segunda, 17 junho 2019 15:28

O supermercado do futuro? A opinião de Maria Miralles

Que mudanças vai trazer a tecnologia ao retalho alimentar? E que novas potencialidades abre para transformar o negócio? María Miralles, partner da consultora Oliver Wyman para a área de Retail & Consumer Goods, dá algunas respostas.

O setor da distribuição alimentar encontra-se em plena revolução. Exemplo disso é o protótipo do supermercado do futuro que a Amazon apresentou recentemente: o Amazon Go. Trata-se de uma loja física, localizada em Seattle, que se caracteriza por ser altamente tecnológica, e onde não são necessárias caixas de pagamento. Tanto a Amazon como a chinesa JD.com reverteram as tendências dos últimos anos e lançaram-se à conquista do espaço físico, através da compra ou abertura de lojas.

As grandes tecnológicas estabeleceram, assim, um precedente ao combinar as lojas online com as lojas físicas, gerando um grande dilema na atualidade. Se, por um lado, assistimos à consolidação definitiva do mundo online, por outro, é necessário transformar as lojas físicas para que estas ofereçam novas experiências de compra e justifiquem a visita do consumidor ao ponto de venda.

De acordo com o estudo “The Future Supermarket”, elaborado pela Oliver Wyman, num mundo omnicanal, em que o processo de compra cresce cada vez mais nos canais online, as lojas físicas devem oferecer experiências e serviços diferenciadores que vão além do próprio processo de compra e que acrescentem valor. Este é um elemento fundamental no processo de fidelização do cliente e na consolidação deste canal, onde as pessoas continuarão a ser essenciais.

A forma como o setor está a enfrentar esta revolução digital leva ainda a uma reordenação do espaço. No futuro, a área dedicada aos produtos embalados ou recorrentes, que normalmente ocupam os corredores centrais dos supermercados, será reduzida. Para os produtos com poder de atração limitado, como são os detergentes, o leite ou o papel higiénico, serão criadas versões virtuais e pontos em que os consumidores apenas terão de utilizar códigos de barras para os adicionar às suas cestas.

O espaço e o tempo outrora ocupados por estes produtos podem então proporcionar novos serviços de valor acrescentado para o consumidor: exibição de produtos frescos, workshops de culinária ou nutrição, degustações e outros espaços de socialização tornar-se-ão lugares convencionais nos supermercados.

Antes de chegar à loja, o consumidor terá acesso a uma lista de compras criada de forma automática com recurso a inteligência artificial. À medida que circula pelo supermercado, pode efetuar pedidos online e recolher os produtos mais tarde, ou solicitar a sua entrega em casa.

Estas possíveis alterações e melhorias nos supermercados têm custos elevados, pelo que a tecnologia traz consigo uma grande oportunidade de poupança, uma vez que simplifica as tarefas mais básicas, ao mesmo tempo que proporciona experiências marcantes e diferenciadoras ao consumidor.

Neste sentido, os supermercados poderão não só libertar até 20% da sua força de trabalho através do uso da tecnologia existente, como também funcionar com uma redução de horas de trabalho de 40%, por via da otimização e simplificação de processos diários, e da poupança na automatização das secções.

Não há dúvida de que os supermercados vão percorrer este caminho, especialmente através da implementação de processos de automatização moderna, de modo a libertar os colaboradores de operações simples e rotineiras para que se concentrem em atividades que acrescentem valor ao consumidor.  

Uma das formas mais eficientes de chegar à loja online e à loja física será através da união de forças entre os retalhistas tradicionais e a Amazon, JD.com ou Alibaba: uns para ganharem espaço no mercado e outros para chegarem ao mundo físico, com operações e perfis muito distintos.  

Ambas as partes já perceberam que nunca serão competitivas se estiverem isoladas; devem estabelecer alianças e estar presentes no online e no offline. As alianças aceleram o desenvolvimento de inovações e o ritmo de crescimento. Se todas as barreiras fossem eliminadas, estima-se que as quotas online dos supermercados do Reino Unido, por exemplo, passariam dos 8% para os 38% em 2030.

A revolução no setor da distribuição alimentar é real, está a acontecer, e, além de impactar o próprio negócio, irá atingir as áreas do emprego, ambiente e distribuição na maioria das economias e sociedades.

María Miralles, partner da consultora Oliver Wyman para a área de Retail & Consumer Goods

Fonte: Store

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