segunda-feira, 25 janeiro 2021 15:48

PPUE: A visão da Jerónimo Martins

O diretor Comercial e de Relações Institucionais do Grupo Jerónimo Martins e vice-presidente da APED, José António Nogueira de Brito, reflete sobre o contexto da Presidência Portuguesa do Conselho e a oportunidade que constitui para influenciar a agenda europeia.

Portugal, Alemanha (Presidência anterior) e Eslováquia (Presidência que segue a Portugal) formam o Trio que, no Conselho da União Europeia, será responsável por liderar uma agenda repleta de importantes desafios: restaurar e aprofundar o mercado único, fazer avançar a transição ecológica e a transformação digital, zelar pela soberania digital, assegurar a autonomia estratégica da UE através de uma política industrial dinâmica, apoiar as PME e as empresas em fase de arranque, analisar o investimento direto estrangeiro, construir infraestruturas mais resilientes, em especial no setor da saúde, e produzir bens essenciais na Europa para reduzir a dependência excessiva de países terceiros.

Portugal assumirá a presidência do Conselho sob a pressão decorrente da crise gerada pela pandemia Covid-19. Não se trata de uma questão de somenos: cada vez mais, as matérias discutidas no seio da União Europeia (UE) têm impacto relevante direto na vida dos Estados-Membros (EM), dos seus cidadãos e das suas empresas. Se assim já o era nos últimos anos, muito mais agora num período difícil em que a resiliência da Europa será posta à prova mais do que nunca. As questões traçadas como prioritárias na UE são aquelas a que os EM devem estar atentos. Se, enquanto país, estaremos particularmente atentos às ajudas e ao financiamento que vêm da União Europeia, não podemos deixar de estar igualmente atentos às suas políticas.

Importa, pois, conhecer as políticas, as intenções que as motivam, e a agenda comunitária, que se reflete na agenda nacional, bem como conhecer o funcionamento da UE e dos seus órgãos, para melhor compreender os impactos das suas decisões.

Durante os seis meses em que assumirá a presidência, e em linha com as prioridades definidas pela Presidente da Comissão Europeia, Portugal deve lutar por uma UE mais resiliente, social, verde, digital e global. Todos estes aspetos envolvem a adoção de medidas com impacto nos negócios em geral, e no Retalho Alimentar em particular, pelo que deverão ser medidas equilibradas, justas, inclusivas e proporcionais.

Portugal, um país na periferia do Sul da Europa, estará numa posição privilegiada para ser o garante do regresso ao funcionamento sem entraves do Mercado Único Europeu, condição fundamental para o desenvolvimento das empresas Europeias, a criação de emprego e o robustecimento das Economias da zona Euro.

Na agenda de sustentabilidade, ambiental e social, é fundamental garantir que todos participam nos esforços necessários para cumprir com as ambiciosas metas já definidas. Cumpre assegurar que o Retalho, como elo mais visível para consumidores e governantes, continuando a liderar em muitos destes desafios (combate ao plástico, redução de consumo energético, diminuição do desperdício alimentar, apoios sociais, etc), seja acompanhado pelos restantes atores da cadeia de valor, com tanto ou maior impacto naqueles objetivos.

No mundo laboral, muito mudou com a pandemia e o 1.º semestre deste “novo tempo” é uma oportunidade para a liderança Portuguesa fomentar um novo diálogo social. Uma conjugação de esforços que permita avançar com passos seguros no que deverá ser o futuro do trabalho. Em particular, nas indústrias e serviços de trabalho intensivo, como é o Retalho Alimentar, importa alcançar maior flexibilidade e agilidade da relação de trabalho em tempos de incerteza onde as mudanças não são exceção, mas um padrão a aceitar. Flexibilidade de horário de trabalho (planeamento e horários mais flexíveis), trabalho remoto, mobilidade funcional, entre outras ferramentas, devem ser saudados pelos legisladores, garantindo que todos possam adequar a relação de trabalho aos seus próprios interesses.

Enquanto sociedade devemos estar atentos ao que se discute e se decide na UE, sendo esta presidência uma oportunidade para o fazer de forma mais participativa.

Fonte: Store

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