quinta-feira, 18 agosto 2022 11:13

Manuel Ricardo: O 5G no comércio e distribuição

O 5G fornecerá comunicações equivalentes às de uma rede Wi-Fi muito boa a funcionar em qualquer lugar. Num futuro próximo, uma empresa poderá negociar com o operador de telecomunicações uma rede de comunicações à sua medida, dado que o 5G pode ser facilmente reconfigurado.

O 5G será de grande utilidade para o comércio e distribuição. Numa loja de atendimento personalizado, o 5G suportará a multimédia distribuída e aplicações de realidade aumentada com a garantia de que as aplicações instaladas em loja funcionarão adequada e independentemente do número de clientes. Sendo certo que o Wi-Fi será a primeira alternativa de comunicações neste cenário, o 5G poderá ser usado complementarmente em situações em que não se consigam evitar interferências de outras redes Wi-Fi.

Na loja self-service (hipermercado), além do ambiente multimédia, poderemos ter grandes quantidades de sensores sem fios e transferência de grandes quantidades de vídeo sem degradação de qualidade de serviço. O 5G evitará a instalação de muitos pontos de acesso Wi-Fi, dado que permite distâncias de comunicação muito superiores às do Wi-Fi. O Wi-Fi pode e continuará a ser usado para cobertura de zonas específicas, em complemento à rede 5G. As duas redes deverão cooperar ativamente. O cliente da loja self-service poderá usar o seu telemóvel 5G para visualizar informação sobreposta aos produtos expostos.

No armazém, além do multimédia, da sensorização e da realidade aumentada, teremos módulos móveis de armazenamento inteligentes e robótica para transporte de mercadorias. Nestes equipamentos, a latência baixa e a fiabilidade elevada das comunicações são relevantes. O 5G é particularmente adequado a estas situações. O digital twin começará a ser implementado, possibilitando a criação do armazém virtual que replica ou simula o armazém real. O operador navegará no armazém virtual e partes deste ficarão visíveis no armazém real.

Coloca-se neste cenário a questão da privacidade dos dados da empresa. Ficará o operador de telecomunicações conhecedor dos equipamentos da empresa, da sua posição e dos dados por eles transferidos? O 5G permite a criação de redes de comunicações privadas. Sendo certo que, em Portugal, o espetro rádio é detido pelo operador de telecomunicações e que será cobrado a quem o usar, será possível negociar com o operador de telecomunicações as funções de comunicações a controlar pela empresa ou mesmo localizar funções relevantes de segurança e de comunicações nas instalações da empresa. Será possível construir redes de comunicações 5G privadas de utilização exclusiva pela grande empresa.

Na distribuição, poderemos ter o armazém em grande escala, com camiões ou veículos autónomos permanentemente ligados, monitorizados e dotados de aplicações de próxima geração. O leilão 5G dá-nos garantias de boa cobertura do território nacional e anuncia-se o roaming entre operadores dentro do país. Neste cenário de boa cobertura nacional, o 5G torna-se insubstituível em cenários de distribuição.

A empresa de comércio ou distribuição deverá experimentar rapidamente o 5G, de preferência através de caso de uso e aplicações criteriosamente selecionadas. Muitas das grandes empresas nacionais encontram-se neste preciso momento a definir experiências deste tipo com a colaboração das entidades do sistema científico e tecnológico nacional.

Manuel Ricardo, Professor Catedrático na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e diretor associado do INESC TEC

Fonte: Store Magazine

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