segunda-feira, 13 novembro 2023 15:02

Os desafios do comércio nas redes sociais

O especialista em Marketing Digital Miguel Raposo acredita que o social commerce vai crescer a um ritmo superior ao do e-commerce tradicional, indicando o desafio que equilibrar a privacidade com uma experiência personalizada.

A digitalização acelerada do comércio tornou-se uma constante, transformando a forma como consumimos e vendemos. Com a ascensão do social commerce, os negócios são cada vez mais pensados para as plataformas de redes sociais.

O conceito de social commerce engloba a intersecção de e-commerce com as redes sociais, onde as empresas podem vender diretamente aos consumidores. Essa aproximação direta possibilita uma experiência de compra mais personalizada e com um alto engagement com os consumidores, mas também introduz desafios significativos. A Accenture prevê que o e-commerce nas redes sociais cresça ao triplo da velocidade do e-commerce tradicional.

Um dos principais desafios é a segurança de dados ou privacidade dos mesmos. À medida que as transações passam para as redes sociais, os riscos de segurança de dados aumentam. Os utilizadores estão cada vez mais preocupados com o tema e, como tal, todos os negócios precisam reforçar as medidas de segurança. Além disso, devem comunicar claramente estas medidas aos consumidores para ganhar a sua confiança.

A segurança das transações é uma preocupação significativa. Muitos consumidores sentem-se inseguros ao fazer compras online nas redes sociais. Para combater isto, é decisivo que estas plataformas introduzam medidas rigorosas para proteger os dados dos utilizadores e garantir transações seguras.

Com tantas opções disponíveis, os consumidores esperam experiências de compra cada vez mais personalizadas. Para ter destaque no mundo digital, as lojas online precisam de entender os hábitos de compra e as preferências dos consumidores. Isto exige investimento em análise de dados e inteligência artificial, para ser possível ter recomendações de produtos e ofertas personalizadas.

À medida que mais consumidores compram pelas redes sociais, as empresas precisam de garantir que as operações logísticas conseguem lidar com o aumento do volume de vendas. Isso inclui garantir que os produtos sejam entregues de forma rápida e lidar com devoluções e trocas de forma eficaz. Além disso, o “customer service” passou a ser crucial. O social commerce permite um feedback quase imediato dos consumidores, seja bom ou mau. As empresas devem ser proativas na resolução de problemas e responder e gerir reclamações de forma rápida e eficiente.

Vejo no social commerce um potencial tremendo para mudar a forma como compramos e vendemos. No entanto, para que seja benéfico para ambas as partes, é necessário que as empresas consigam ultrapassar estes obstáculos, para terem uma vantagem competitiva significativa e serem capazes de proporcionar aos consumidores uma experiência de compra superior.

Mas devemos também considerar o lado do consumidor. Num mundo cada vez mais digital, precisamos de mecanismos fortes de proteção de dados e privacidade. É imprescindível que as empresas usem tecnologia e plataformas preparadas para esta nova realidade, com práticas transparentes e seguras.

A personalização é um elemento-chave do social commerce e não se deve traduzir numa invasão da privacidade do consumidor. Os negócios precisam de encontrar um equilíbrio entre fornecer uma experiência personalizada e a privacidade.

A logística é essencial, as empresas precisam de investir em infraestruturas robustas para suportar o aumento das vendas online. Uma má experiência de compra, seja por atrasos na entrega ou dificuldades nas devoluções, pode levar à perda de confiança e reputação de uma marca.

Deve-se, no entanto, ter sempre em atenção que o sucesso no social commerce vai além de simplesmente vender produtos: trata-se de construir relações com os consumidores e proporcionar uma experiência de compra que seja segura, personalizada e, no “mínimo”, satisfatória.

 

Fonte: Store Magazine

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