segunda-feira, 25 março 2024 09:21

Tendências do retalho alimentar para 2024

A retailer services Director da NielsenIQ, Ana Paula Barbosa, identifica cinco grandes tendências do retalho alimentar para 2024.

O atual contexto de inflação e baixa do poder de compra está a impactar cerca de 90% dos portugueses, segundo a NielsenIQ, obrigando-os a alterar os seus hábitos de consumo.  Uma parte importante dos consumidores (44%) diz apenas ter dinheiro para cobrir as despesas suas básicas. Perante este contexto, os operadores do retalho alimentar têm de reajustar as suas estratégias, e procurar novas fontes de crescimento.

Podemos assim identificar algumas tendências para 2024:

  1. Redefinição das estratégias de preço

No início de 2022, o aumento repentino dos preços obrigou os retalhistas a reagirem rapidamente, não deixando muita margem para uma gestão estratégica desta variável.  Passados dois anos, e sabendo que a variabilidade dos preços vai continuar a estar muito presente no dia-a-dia dos operadores do setor, é crítico redefinir estratégias. A imagem de preço não se constrói apenas com base na definição dos preços regulares e promocionais. Será preciso também redefinir a oferta de produtos, a estratégia de comunicação, e as mecânicas promocionais.

  1. O consumidor no centro da estratégia do retalho

Vemos cada vez mais retalhistas a investirem em sistemas que lhes permitam conhecer os seus clientes, os seus comportamentos e as sua preferências. Esse conhecimento é crítico na definição de políticas de preço, desenvolvimentos de gama, e estratégias de comunicação. Num contexto de perda contínua de poder de compra, os consumidores estão regularmente a ajustar os seus comportamentos de compra, pelo que se torna essencial fazer um acompanhamento dinâmico destas mudanças.

  1. Um foco cada vez maior na diferenciação do sortido

O shopper sempre valorizou a diferenciação da oferta na hora de escolher uma loja. De acordo com o nosso estudo ShopperTrends, as categorias de frescos são tradicionalmente aquelas que mais levam os clientes a mudar de loja. Com a inflação observada nessas categorias, bem como a evolução dos padrões de consumo, será crítico manter um foco nesta área e adaptar a oferta às novas exigências dos clientes.  Por outro lado, as marcas próprias são cada vez mais usadas pelos retalhistas como forma de se diferenciarem da concorrência através da oferta de produtos exclusivos, a preços acessíveis. Vão tender a crescer através da entrada em segmentos novos, de maior valor acrescentado. Finalmente, no contexto atual, é essencial que os operadores do retalho trabalhem em colaboração com os seus fornecedores, no sentido de desenvolver gamas adaptadas às expectativas do shopper e travar assim uma progressão das marcas próprias que a médio-prazo poderia afetar as margens do retalho

  1. Personalização

As promoções massificadas tiveram um papel importante há dez anos atrás, na dinamização das vendas das marcas e do retalho. Estamos agora num contexto diferente, em que as promoções deixaram de ter o efeito incremental que já tiveram no passado. O próprio cenário inflacionista inviabiliza a prática de descontos tão grandes como os que existiam há dois anos. A personalização das promoções irá ajudar os retalhistas e as marcas a serem mais eficientes no impacto das suas ações, evitando assim o chamado “desperdício promocional”

  1. Aposta na restauração

É uma tendência crescente no retalho. Nos últimos anos, o crescimento significativo da área de “Take Away” e das cafetarias na distribuição moderna abriu o caminho para uma diversificação do negócio. Segundo um inquérito realizado pela NielsenIQ em outubro, 41% dos portugueses foram menos frequentemente comer fora de casa nos últimos três meses. Existe uma transferência de consumo de fora para dentro de casa, mas isto também significa que os consumidores vão procurar soluções de refeição nos hipermercados e supermercados. Com o efeito prolongado da inflação, esta realidade irá permanecer, o que representa uma oportunidade de negócio muito interessante para o retalho.

Ana Paula Barbosa, retailer services Director da NielsenIQ

Fonte: Store Magazine

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