quinta-feira, 02 maio 2024 09:52

A Inteligência Artificial no Retalho

O economista e gestor, especialista em inovação e competitividade Francisco Jaime Quesado aborda partilha a sua visão sobre o uso da inteligência artificial no retalho.

A Inteligência Artificial passou a ser um elemento central na gestão da cadeia de valor das diferentes fileiras da nossa economia, introduzindo novas dimensões em termos dos níveis de articulação com os diferentes parceiros e prospetiva das opções estratégicas a considerar para o futuro. Quando nos preparamos para celebrar os 30 anos do Relatório Porter e fazer um ponto de situação sobre o estado da arte da nossa competitividade enquanto Nação, esta é também a oportunidade para perceber como as novas dimensões tecnológicas – onde a inteligência artificial ganha particular destaque – se integram nesta nova agenda da nossa economia e das suas fileiras. O retalho, pelo seu contexto de evolução e forte impacto na nossa economia e sociedade, merece aqui um particular destaque de análise.

O retalho tem consolidado nos últimos anos o seu papel de intermediação inteligente entre as expectativas de uma procura cada vez mais exigente e as dinâmicas de uma oferta mais inovadora e abrangente das suas propostas junto do mercado. A confiança é uma palavra chave nesta intermediação e os principais operadores do sistema – desde as grandes cadeias até aos players mais pequenos – têm procurado sustentar a sua organização e capacidade de oferta em patamares de qualidade de serviço que possam ser uma referência nesta matéria. A progressiva introdução da AI ao nível das diferentes operações da cadeia de valor do negócio constitui um desafio que tem que ser assumido pelas equipas de gestão como um fator de regulação interna permanente e colaborativa.

Quando se fala da AI no Retalho a primeira imagem que surge é a da substituição da pessoa humana pela máquina em operações de menor valor acrescentado e de gestão mais sistemática – controlo de stocks, operações de caixa e outros. Uma análise deste género é muito limitativa na sua abordagem e num contexto de gestão da base competitiva do setor – e das suas diferentes unidades operacionais – importa revisitar o conceito da gestão da cadeia de valor e perceber que a AI tem também no importante e dinâmico setor do retalho que saber utilizar o seu potencial numa gestão mais inteligente das diferentes fases operacionais que lhe estão associadas. Ou seja, fazer da AI um verdadeiro driver de modernidade estratégica e eficiência operacional.

AI no Retalho – ser ou não ser, eis a questão. Mais do que grandes considerações sobre um tema que passou a fazer parte da agenda operacional importa saber colocar ao dispor de uma boa gestão interna e externa da fileira – e dos seus principais operadores – um acelerador de inovação aberta que possa ser um verdadeiro instrumento de inteligência coletiva. Desta forma, o caminho do futuro será uma opção assumida, participada e dinamizada num setor que desde sempre esteve voltado para esse mesmo futuro.

Francisco Jaime Quesado, economista e gestor, especialista em inovação e competitividade.

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